dia desses foi aniversário de painho, o que inevitavemente me fez pensar na nossa relação. tive que crescer e trocar experiências pra entender que fui muito privilegiada no quesito "pai", pois a presença do meu sempre equilibrou respeito dos limites e participação ativa.
mas eu queria voltar no tempo pra época em que meu pai não era pai. a gente sempre colhe uma história aqui e ali, e daí vamos montando o quebra-cabeças. painho era "bigodete", "peça boa", aprontava que só. e acho que continuou seguindo essa linha depois do casamento (fragmento de alguém falando que mainha ia buscá-lo nos bares bebaço).
aparentemente isso mudaria em 1985, quando eu nasci. desde que me entendo por gente, painho exercia papéis que até hoje, apesar de muita luta, ainda são delegados apenas às mulheres. era ele que nos levava ao banheiro, quem ficava conosco depois de um pesadelo, preparava nosso gagau, dividia com mainha a tarefa de auxiliar nos estudos. até hoje ele vai brigar contigo pra ser ele o lavador da louça. nunca vi meu pai levantar a voz pra minha mãe. talvez o seu comportamento mais típico de papel de gênero era deixar as proibições e castigos aos filhos para a esposa.
agora vou para um passado mais próximo, e penso no meu último momento com ele antes de cruzar o oceno. foi ele quem me levou pro aeroporto. ainda no carro, apenas eu e meu pai, percebo o silêncio que marca nosso relacionamento. ou os silêncios. e isso me faz apreciar ainda mais os dois, o silêncio e o meu pai. eu sei que ele me ama. e eu espero que ele saiba que o amo.
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| cara de quem aprontava pouco |

Beijos, te amo... 😘😘😘
ResponderExcluirte amooo, pai <3
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