sexta-feira, 8 de novembro de 2024

soltinho7

 uma das minhas maiores dificuldades aqui na Alemanha é diferenciar quando uma roupa está apenas fria ou úmida/molhada

domingo, 3 de novembro de 2024

Kritzel Café e ser no mundo

 nunca foi muito fácil pra mim ser uma pessoa no mundo. dito assim, parece coisa de adolescente revoltado (que eu fui!), mas posso provar que não tou bancando a poser.

eu simplesmente não consegui me adaptar na minha primeira escola, ao ponto da minha mãe precisar me mudar de colégio. colégios sempre foram instituições intimidadoras pra mim, na verdade. as pessoas muito padronizadas e eu ali me sentindo um alien, por causa de tudo que eu carregava comigo: meus rosto, meu cabelo, meus gostos. acho que o primeiríssimo lugar que eu me senti "normal" (perdão pelo uso dessa palavra), foi na universidade. e puxa, eu já estava com 18 anos. isso molda seu caráter. a gente sempre quer pertencer, por mais introvertido ou estranho ou bizarro que sejamos. enfim, tudo isso pra dizer fiquei sabendo que dia 21 de outubro iria ter um evento chamado Kritzel Café, que consiste basicamente em reunir desenhistas e outros fazedores de arte pra simplesmente denhas e fazer arte. era só chegar. me empurrei pra ir. cheguei lá, dei boa noite e sentei no meu cantinho. até que uma garota começou a puxar assunto comigo e de repente todes estavam perguntando coisas pra mim (ohhh, quando você diz que é do Brasil). fui muito bem acolhida, me senti em casa, a galera é bem minha txurma mesmo (os nerds artísticos) e eu senti que posso pertencer a este pequeno grupo, todas as terceiras segundas-feiras do mês. definitivamente um lugar bom pra existir no mundo. ((a cereja do bolo foi uma querida ter comprado uma ilustração minha por um valor acima do que eu havia colocado.))


ilustração que fiz durante o evento


sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Habemus fotos

A Milnoltinha de Opa Willi segue firme e não precisará de reparos. ai mds meu bolso já quero comprar mais filmes e tirar fotos e revelar e


uma amostra das fotos, por enquanto sem scanner acessível

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

o que eu faço ?

as pessoas me perguntam no que consiste meu trabalho. se fosse uma resposta resumida seria "faz-tudo". mas eu posso fazer uma lista com as funções que já desempenhei por lá.

  • cozinhar
  • limpar
  • fazer pesquisas sobre diversos tópicos
  • traduzir
  • mandar emails
  • ensacar o figurino
  • receber pessoas durante uma apresentação
  • desprodução de cenário
  • levar cartazes pra serem impressos
e que eu me lembre, até agora, foi isso


no arquivo de figurino





aproveitando que tava sozinha pra tirar uma foto no MEU computador






as fotos não refletem completamente a realidade, tá gente? óbvio que não ia colocar foto aqui eu estabacada no chão removendo fita adesiva ou lavando pano em pia de banheiro. 
meu trabalho é isto: sempre uma surpresa, eu nunca sei o que me aguarda no dia




quinta-feira, 17 de outubro de 2024

soltinho6

 aquele ditado "sou pobre, mas sou limpinho", ganha uma ênfase ainda maior pra brasileiros na europa

domingo, 13 de outubro de 2024

mofo querido, chuva e curry wurst

 sábado (ontem) aconteceu uma feira de livros usados e é óbvio que eu quis ir conferir. às margens do Reno, havia vários stands com possibilidades incontáveis. não apenas livros, mas vinis e alguns quadros/artes. tive que ativar meu bloqueador contra lugares muito cheios, mas foi fácil por causa das coisinhas que me cercavam


minúscula amostra



CAMEO


eu não queria sair dali (de mãos vazias), mas era tanta oferta que tive que tentar traçar uns parâmetros. primeiro: capa agradar. segundo: folhear o livro e ver se eu conseguia entender o nível. três: não queria traduções. até que ...


O Escolhido

enquanto eu olhava os vinis, começou a chover. Chuva e livros não combinam, então mudamos totalmente de locação, meu amado e eu. fomos pra uma loja de material de construções 



da série: cenários que me fascinam





                                       terminamos o dia com o tradicional curry wurst.


consumidores conscientes de carne




sexta-feira, 11 de outubro de 2024

flávio

 dia desses foi aniversário de painho, o que inevitavemente me fez pensar na nossa relação. tive que crescer e trocar experiências pra entender que fui muito privilegiada no quesito "pai", pois a presença do meu sempre equilibrou respeito dos limites e participação ativa.

mas eu queria voltar no tempo pra época em que meu pai não era pai. a gente sempre colhe uma história aqui e ali, e daí vamos montando o quebra-cabeças. painho era "bigodete", "peça boa", aprontava que só. e acho que continuou seguindo essa linha depois do casamento (fragmento de alguém falando que mainha ia buscá-lo nos bares bebaço). 

aparentemente isso mudaria em 1985, quando eu nasci. desde que me entendo por gente, painho exercia papéis que até hoje, apesar de muita luta, ainda são delegados apenas às mulheres. era ele que nos levava ao banheiro, quem ficava conosco depois de um pesadelo, preparava nosso gagau, dividia com mainha a tarefa de auxiliar nos estudos. até hoje ele vai brigar contigo pra ser ele o lavador da louça. nunca vi meu pai levantar a voz pra minha mãe. talvez o seu comportamento mais típico de papel de gênero era deixar as proibições e castigos aos filhos para a esposa.

agora vou para um passado mais próximo, e penso no meu último momento com ele antes de cruzar o oceno. foi ele quem me levou pro aeroporto. ainda no carro, apenas eu e meu pai, percebo o silêncio que marca nosso relacionamento. ou os silêncios. e isso me faz apreciar ainda mais os dois, o silêncio e o meu pai. eu sei que ele me ama. e eu espero que ele saiba que o amo.


cara de quem aprontava pouco